Ao olhar para trás através de milênios, os palácios da Casa Han permanecem inalterados! Era o terceiro ano da era Yuanfeng do Imperador Zhao da dinastia Han; no tribunal, os ministros poderosos dominavam, enquanto ameaças externas dos Xiongnu ainda não haviam sido eliminadas, e a Rota da Seda permanecia frágil como um fio... Embora Wei e Huo já tivessem partido, o espírito de exploração dos filhos da Casa Han jamais cessou. Novos heróis estavam prestes a surgir! Na estepe de Dunhuang, na estação de correio chamada Fonte Suspensa, o obscuro oficial Ren Hong largou o pincel e bradou com indignação: “Um verdadeiro homem não deve ter outra ambição senão imitar Zhang Qian e Fu Jiezi, conquistando méritos em terras distantes para alcançar títulos e glória. Como poderia permanecer por muito tempo perdido entre pincéis e tinta?” Grupo de leitores: 567351610.
No terceiro ano da Era Fengyuan (78 a.C.), num dia de outono do sétimo mês, o “desjejum” mal terminara.
A alvorada no noroeste era seca e fria; a silhueta das Montanhas Qilian surgia nítida, a Rota da Seda que conduzia ao Oeste aparecia e sumia entre as brumas, e ao longe, dos destacamentos militares, ouvia-se o latir dos cães...
Assim amanhecia em Xuanquan.
Xuanquan era uma estação fronteiriça do Império Han, situada no condado de Xiaogu, na jurisdição de Dunhuang. Ao redor, não havia senão o árido deserto de Gobi ou montes arenosos; num raio de dezenas de li, apenas ali se podia repousar.
Seja para mercadores hunos a caminho do leste, seja para enviados han que vinham do oeste, ali precisavam descansar, dar de beber aos cavalos com a água fresca do manancial e também buscar algo para aplacar a fome. Se, por sorte, pudessem repousar num dos leitos da hospedaria, o sono seria mais doce que a própria vida.
Mas tal comodidade custava caro aos oficiais e servidores de Xuanquan, obrigados a levantar-se antes da aurora e dormir tarde, sempre atentos ao serviço.
Naquela manhã, Ren Hong fora acordado cedo para receber os visitantes.
“Ser assistente de Xuanquan, oficial de baixa patente e salário modesto, mas responsável por tudo, ah...”
Ren Hong reprimia o bocejo, ajoelhava-se atrás da pequena mesa, desenrolava pincel e tinta, semicerrava os olhos para examinar os dois documentos — as permissões de viagem, equivalentes às cartas de apresentação e salvo-conduto da época Han.
As leis exigiam que cada estação registrasse a iden