Com ares exóticos, intrigas do submundo, paixão ardente e jogos de poder, a justiça mostrou-se implacável: Zuo Xiangdong foi acusado pelo tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, de ter cometido cento e trinta e dois crimes, recebendo uma sentença total de mil novecentos e oitenta anos de prisão. Diante dos altos muros que o aguardam, só lhe resta suspirar pelas “façanhas gloriosas” de sua juventude e resignar-se a pagar com o resto de sua vida pelos próprios atos. Mas então...
“Onde há pessoas, há também o submundo; e o submundo é uma aposta: uma vez feita, não se pode mais decidir o próprio destino.”
Essa frase foi dita a Zuo Xiangdong por um célebre chefão de origem chinesa que vivia nos Estados Unidos e que já não está mais entre os vivos.
No final da década de 1950, Zuo Xiangdong e seus pais atravessaram ilegalmente as fronteiras em direção aos Estados Unidos. Na época, ele era apenas uma criança, tinha uns seis ou sete anos. Para chegar aos Estados Unidos, a família se deslocou de carro, pegou navios e atravessou longos trechos à noite.
Na fronteira entre o México e os Estados Unidos, a família foi surpreendida por criminosos mexicanos. O pai, ao tentar proteger Zuo Xiangdong e sua mãe, acabou sendo executado a sangue frio por um homem de barba espessa, que disparou contra sua cabeça.
Até hoje, Zuo Xiangdong se lembra do rosto daquele assassino. E jamais esqueceu o prazer avassalador que sentiu anos depois, ao ver o algoz de seu pai morrer lentamente sob suas mãos vingativas.
Aquela sensação de vingança era como o êxtase que percorre todo o corpo após um esforço físico extremo: ondas de prazer que se dissipam lentamente, deixando um cansaço absoluto, mas também uma satisfação indescritível.
Fugindo dos criminosos mexicanos, Zuo Xiangdong e sua mãe se lançaram ao rio; ela o arrastou com todas as forças em direção à outra margem, enquanto tiros zuniam sobre suas cabeças. Quando finalmente conseguiu empurrar o filho para cima da margem, ela própria já não tinha forças para subir.
O sangue de sua mãe