O despertar dos mistérios, o alvorecer dos deuses — será sempre algo bom? Junto com o ressurgimento da energia espiritual, manifesta-se também um terror sem solução. Um sobrenome singular, uma alma que transita entre dois mundos, uma epopeia envolta em segredos...
No interior de uma caverna escura e úmida.
Velas de cera pálida lançavam uma luz tênue, iluminando as figuras de uma dúzia de pessoas envoltas em mantos negros, cujas sombras contorcidas e sinistras se moviam pelas paredes de pedra...
“Mãe da natureza, Rainha das Florestas, fonte de toda vida!”
“Eu lhe ofereço este sacrifício com fervorosa devoção: o sangue dos inimigos, a carne da presa, os ossos dos ancestrais!”
“Conceda-me colheitas abundantes, conceda-me juventude, conceda-me força...”
À frente, uma figura liderava as preces, cortando com uma adaga prateada um generoso pedaço de carne de cervo, que depositava no altar de pedra.
Sobre o altar, havia ainda extensas manchas de sangue, vísceras, entranhas e alguns ossos alvos.
Gotas de sangue escuro escorriam vagarosamente pelas frestas do altar de pedra.
Tudo exalava um ar de sangue, terror e mistério...
Era como se devotos de uma divindade profana realizassem um ritual de sacrifício.
Alarico Sothos mantinha uma expressão de devoção, executando cada gesto com precisão junto à multidão, mas em seu íntimo permanecia indiferente, chegando a sentir vontade de rir.
“Depois de dezesseis anos neste mundo, posso afirmar com certeza: não existe qualquer poder sobrenatural nesta região, nem mesmo no culto ancestral da família Sothos — o Deus Estrangeiro, a chamada ‘Avó da Figueira Verde’.”
“É claro, num tempo tão impregnado de tradições e crenças, revelar-se um descrente seria uma completa estupidez; em qual reforma religiosa da história não houve mortos? Nem