Sempre existe uma canção que, de repente, invade o coração e a alma. Sempre há uma música que nos faz, inesperadamente, deixar cair lágrimas silenciosas. Cada pessoa tem sua própria canção predileta, seja cantando ou apenas ouvindo. Na primeira vez, não compreendemos o significado da melodia; ao ouvi-la novamente, já nos tornamos parte dela.
— Que coisa mais banal!
Anos de dedicação, apaixonado pela deusa, namorada, entregou tudo, finalmente de mãos dadas; assinou com uma empresa, o romance foi proibido; na véspera da formatura, confirmação do término. Sofrimento excessivo, uma noite inteira de bebida; o antigo dono da alma partiu, agora é minha vez de assumir?
Como um quarentão de classe média, marcado pela rotina exaustiva, espancado pela sociedade até sangrar, o passado de Song Dao é doloroso demais para ser lembrado. E, de repente, ele se vê transportado para um mundo paralelo, ocupando o corpo de um estudante de composição prestes a se formar numa academia de música, jovem e cheio de vida.
Também chamado Song Dao!
Que nome maldito, pensa ele.
Se já era um sujeito azarado, o antigo dono, apesar de jovem, não parecia ter tido uma vida melhor. Dá sentido ao provérbio: “As vidas felizes se assemelham, as infelizes têm cada uma a sua desgraça.”
Pelo menos, Song Dao viveu bem até os trinta e cinco. O dono anterior teve sua história interrompida aos vinte e quatro.
Ele já ouvira a teoria de que atravessar mundos seria resultado de uma confusão temporal, um cruzamento dos universos de neutrinos, onde a alma desperta no corpo do outro eu, em outro universo.
Seria, então, que o destino se compadeceu e lhe deu uma nova chance?
Song Dao pensa nisso principalmente porque, em sua mente, um sistema está sendo carregado.
Seja ou não outro eu, ele deseja que o jovem Song Dao deste universo também encontre um lugar onde não se machuque.
Se pudessem trocar,