Duan Wenjun atravessou para outro mundo e ainda acabou no corpo de um jovem fidalgo dissoluto. Ele só queria fazer uns negócios, cultivar a terra, mexer um pouco no patrimônio do seu pai de ocasião, viver despreocupado como um jovem herdeiro e passar a vida de forma simples. Mas, para sua surpresa, essa pequena mexida... saiu completamente do controle...
Era o terceiro dia do terceiro mês, no sexto ano de Shunwu. A primaverilha já se instalara, e no pátio as pereiras estavam em plena floração.
A chuva miúda da noite anterior ainda deixara no ar um frescor húmido e suave.
Uma brisa leve passou; algumas pétalas, ainda orvalhadas, balançaram ao vento e caíram no rosto de Duan Wenjun, que contemplava as flores à janela.
Seu semblante magro estava extraordinariamente pálido, com o aspecto enfermiço de quem despertara de um ferimento grave.
“Como se, numa só noite, viesse o vento da primavera, e mil árvores, dez mil árvores, se cobrissem de flores de pereira.”
Erguendo a mão, Duan Wenjun beliscou uma pétala branca que se lhe colara ao rosto e, de repente, lembrou-se daqueles versos. Soltou um leve suspiro.
“A neve se dispersou; as pereiras realmente floresceram. A neve dos poemas transformou-se em flores de pereira. Que beleza!”
“O inverno se foi, a primavera chegou. Ainda bem; o que importa é estar vivo.”
Fazia dez dias que Duan Wenjun havia despertado.
Ele renascerá.
Embora sempre lhe parecera absurda e desregrada essa história de renascimento e travessia para outro mundo, ao fundir-se com as memórias deste corpo, não lhe restou senão acreditar que tudo aquilo era real.
Espreguiçou-se e soltou um longo suspiro; a dor vinda dos ferimentos o fez contrair a boca num esgar.
Desde que despertara, passara oito dias inteiros deitado na cama; só no dia anterior conseguira enfim levantar-se e caminhar.
Ao fitar a pereira, lá fora, carregada de flores, um so