Zuo Youyou, gênio da redação, rainha dos furos e especialista máxima em tendências da internet. Por conta de uma confusão, Zuo Youyou, sem formação de destaque nem histórico de prestígio, acabou entrando por acaso no tradicional e solene setor de livros antigos, juntando-se ao trabalho de compilação da Grande Enciclopédia Chinesa, em curso há 58 anos. A partir do momento em que assumiu a tarefa de lidar com um livro-caixa centenário que havia passado pelas mãos de quatro editores, Zuo Youyou precisou lutar para sobreviver em meio a métodos de contagem populares e caóticos, enfrentou o duro golpe de livros antigos esfacelados, foi atingida por um revés ainda maior quando obras enviadas para um seminário em Harvard se perderam no caminho, e depois caiu em um abismo de pontuação e segmentação textual completamente embaralhadas. Ela derrotou obstáculos como quem vence monstros, avançando com coragem e lutando sem parar, até finalmente se tornar uma profissional de livros antigos capaz de assumir tudo sozinha. Quem diria que, por causa de uma peça cultural perdida, o trabalho de compilação da Grande Enciclopédia Chinesa mergulharia em uma crise de reputação. Zuo Youyou usou suas habilidades profissionais para fazer com que os livros antigos “falassem”, frustrando assim a conspiração de uma casa de leilões e promovendo o retorno das peças culturais chinesas levadas para o exterior. No fim, após 60 anos, a Grande Enciclopédia Chinesa foi concluída, e a cultura chinesa, adormecida por milênios, voltou a resplandecer no mundo. Proteger a cultura tradicional, passar uma única chama a inúmeras outras, até que enfim todas as lâmpadas brilhem.
Quem é o grande otário? Sou eu. Pensou Zuo Youyou, com o olhar vazio. Talvez, nesta existência, ela jamais conseguisse escapar do destino trágico de ser a grande otária. Zuo Youyou, mulher de vinte e cinco anos, formou-se em uma universidade comum e passou a trabalhar em uma pequena agência de publicidade como redatora, encarregando-se especificamente das campanhas para leilões de livros antigos. Recebendo um salário modesto, elaborava folhetos para obras raras cujos preços beiravam o absurdo, na tentativa de despertar o desejo de compra entre os ricos. Zuo Youyou costumava descrever essa existência como uma forma de prosperidade partilhada. Na rotina dessa prosperidade partilhada, seu dia a dia resumia-se a frases como: “Vou alterar.” “Mas posso modificar.” “Em breve envio outra versão.” “Prefere a primeira versão? Tudo bem, pode ser, sem problema.” Naquele dia, nada parecia diferente do habitual. Contudo, três minutos antes, Zuo Youyou fora abandonada. O namorado de três anos finalmente conquistara a estabilidade de um cargo público e, após agradecer a Zuo Youyou pela companhia nos momentos sombrios, ergueu, logo após a aprovação, a primeira lâmina contra a amada. “Vamos terminar”, disse Cao Jianfeng ao telefone. No computador, o QQ piscava sem parar: “O texto desta campanha de leilão está um tanto fraco; que tal reescrever outra versão?” Nos fones, o “Grande Mantra da Compaixão”, que servia para acalmar o espírito, interrompeu-se de súbito, e o Netease Cloud Music informou que seria necessário pagar para ouvir a faixa completa. Zuo Youyou permanecia sentada à mesa de