Eu não sou um selvagem.

Eu não sou um selvagem.

Autor: O Solitário 2

Desta vez, não pergunto pelas notas, apenas pelo verdadeiro eu; desta vez, apenas desejo escrever um livro com todo o empenho; desta vez, escrevo sobre esperança, escrevo sobre o sonho mais profundo em meu coração. Eu realmente anseio por atravessar, de fato, o véu do tempo e viver plenamente, ao menos uma vez, dentro de meu próprio sonho. Sou, por natureza, comum, medíocre; todavia, meus sonhos jamais se conformaram à mediocridade. Todas as noites, antes de me abandonar ao sono, adentro o espaço dos meus sonhos, vivendo ali, gota a gota, passo a passo, começando nu, erguendo um espaço onírico que é meu, mas também de todos. Este espaço, porém, revela-se mais real, mais tangível do que qualquer outro que já tenha criado em meus romances. Originalmente, este texto não seria a sinopse do livro; tinha preparado uma introdução muito mais grandiosa. Mas, não sei qual ébrio retardatário, do lado de fora do escritório, agora canta “Cidade dos Cavaleiros”; ignoro quantas esposas lhe escaparam, mas canta com tamanha intensidade, tão dilacerante. Não sei por quê, mas esse espetáculo arrancou lágrimas deste velho gordo, quase cinquentão, de coração endurecido. Ah, o ser humano... Quanto mais envelhece, mais se deixa abater. Assim, a sinopse tornou-se esta que lê agora; peço-lhe que aceite como está. Se o livro não agradar, não hesite em me xingar sem piedade na seção de críticas. Tenho meus velhos hábitos: ouvirei com atenção. Ademais, se lhe apraz histórias juvenis e ardentes, recomendo que folheie “Tang Zhuan”, “A Sabedoria da Grande Canção”, “Raposa Prateada”, “Han Xiang”, “Ming Tian Xia”—todas com no mínimo vinte e cinco mil assinaturas, garantia de qualidade. Desta vez, permita-me atravessar devagar, atravessar com felicidade, atravessar com elegância. Com estima, Seu velho amigo, Jié Yu 2

Eu não sou um selvagem.

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Prefácio: O Ponto G da Terra

O Ponto G da Terra

No topo das montanhas Kunlun, a neve se estende em mantos brancos e infindos; ao sopé, a relva verdejante cobre o solo como um tapete, e uma brisa fresca perambula suavemente.
Entre o azul do céu e o branco das encostas, a escultura viva da águia das neves voa altiva, vigiando incessantemente as cabras selvagens que pastam nos despenhadeiros.
Se não fosse pela presença de uma cicatriz feia, de quase vinte metros, rasgando o prado esmeralda, este lugar poderia muito bem ser chamado de paraíso na Terra.
Nem a neve, nem a relva, nem o vento, tampouco as águias ou as cabras, têm grande importância para Yun Chuan, que, ali, trabalha arduamente cavando uma trincheira geológica.
Escavar uma trincheira de vinte metros de comprimento, oitenta centímetros de largura na borda superior, cinquenta na base, e oitenta de profundidade, é para ele tarefa de suma importância.
Cada trincheira lhe renderá três mil yuans — este significado é essencial; mesmo que destrua o cenário idílico, pouco lhe importa.
A cada trincheira escavada, mais três mil yuans; a cada passo, aproxima-se do tão almejado casamento.
Sua noiva não é uma beleza, tampouco possui corpo escultural; apenas se encaixa no perfil de alguém com quem se pode casar.
Yun Chuan não anseia propriamente pelo casamento — aquilo que se faz na noite de núpcias, já o fizera um ano antes; esforça-se apenas para ganhar dinheiro suficiente e realizar uma cerimônia, satisfazendo assim o desejo dos pais, sogros e da noiva pelo ritual.
Quanto a ele, ninguém se importa; só querem sab

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