[Mulher que vira homem + leve vantagem especial + vida no campo + comércio + tem esposa] Xu Ling, uma solteirona de meia-idade do mundo moderno, morre subitamente e reencarna de forma inesperada como um sujeito desprezível da antiga sociedade: um homem que bate na esposa e despreza as mulheres em favor dos homens. Será isso a perda da humanidade ou a decadência moral? Para piorar, ela ainda virou um personagem coadjuvante descartável de um romance, alguém cuja vida quanto mais miserável for, mais serve para realçar a imagem brilhante do casal principal! Xu Ling: ... Sem escolha, ao olhar para a família toda esfarrapada e miserável ao seu redor, Xu Ling só pôde assumir o destino de mandar na casa, criar os pequenos, cultivar a terra e enriquecer! Só que— Por que o olhar de certa mulher para ela está ficando cada vez mais estranho? Aviso de leitura: a vantagem especial é pequena; mulher que vira homem e já tem esposa.
O choro lamurioso e entrecortado soava de tempos em tempos junto ao ouvido de Xu Ling, deixando-a irritada. Na promoção comercial do Dia dos Solteiros, ela, como uma trabalhadora explorada, havia passado uma semana inteira fazendo horas extras; naquele próprio dia, trabalhara até três ou quatro da madrugada. Ao voltar para o quarto alugado, nem sequer tivera tempo de tomar banho e se jogara direto na cama para descansar.
Quem diria que, pouco depois de adormecer, seria acordada por aquele choro enervante.
— Que coisa mais irritante! Não deixam a pessoa dormir, não?
Xu Ling ergueu o tronco com brutalidade e bateu na parede. Devia ser mais uma vez o casalinho do quarto ao lado. Jovens recém-saídos da escola, ainda sem terem sido muito moídos pela vida, cheios de energia — qualquer hora, em qualquer lugar.
Mas desta vez, a dor de cabeça era tão forte que ela mal conseguia suportar.
Ao tocar a parede, Xu Ling ainda não percebeu que o ambiente ao redor havia mudado; quem lhe deu um susto foi a mulher aos pés da cama.
— Socorro!!
Xu Ling quase perdeu a alma de susto. Será que tinha topado com um fantasma?
O “fantasma” também se assustou e, devagar, ergueu a cabeça. A noite era escura demais para distinguir o rosto, mas a impressão era de que ela estava ainda mais apavorada do que Xu Ling.
— Sou... sou eu...
Xu Ling nem chegou a ouvir. Apressou-se a tatear o abajur da cabeceira. Quem diria que sua mão tocaria em algo macio; junto de um choro infantil, ela finalmente não suportou mais o pânico.
Revirou os olhos e