【Beleza fofa e delicada x vilão cruel e implacável】 Xie Shu tinha uma aparência deslumbrante, bela e cativante; era delicada, de corpo frágil e macio, e desde pequena havia sido criada com todo o carinho e mimo do mundo. Seu único defeito era ter uma cardiopatia congênita: desde o nascimento, vivia no quarto de hospital e não podia sair. Depois de acordar de um sono, ela descobriu, para seu espanto, que havia entrado em um romance de livro — e pior: tinha se tornado a esposa recém-casada do vilão impiedoso da história, aquela que quase não aparecia e acabava morta por cometer todo tipo de maldade. Xie Shu apertou a manga com força. “Que... que medo.” Mas, sem saber por quê, as pessoas que deveriam desprezá-la e manipulá-la passaram a elevá-la bem alto, a ponto de tratá-la ainda melhor do que os próprios parentes da vida passada. Disputavam entre si para que essa lua brilhante permanecesse lá no alto, sem tocar nem um grão de poeira. Num certo dia, Xie Shu pegou um resfriado leve e começou a tossir; fazendo manha, recusou-se a tomar o remédio, e os quatro membros da casa quebraram a cabeça tentando convencê-la. O marido, Song Yan, com um tom severo, escondia uma ternura transbordante nas palavras: “Xie Jiao Jiao, não é permitido brincar com o próprio corpo.” O sobrinho mais velho, Song Qinghe, frio e calmo: “Xie Jiao Jiao, amanhã eu faço para você o seu mingau de lótus favorito; tome só um gole?” O segundo sobrinho, Song Qingyun, exuberante e arrogante: “Xie Jiao Jiao, amanhã eu vou te trazer o vestido mais bonito. Vai, toma o remédio direitinho.” Até o terceiro sobrinho, ainda pequeno, Song Qingxuan, dizia com vozinha de bebê: “Jiao Jiao é a mais corajosa, não é?” Diante dos olhares dos quatro, Xie Shu encarou o remédio que Song Yan segurava à sua frente e hesitou: Talvez... ela tomasse só um gole?
— Ela já acordou?
— Ainda não. Já é meio-dia; quer que a chamemos?
Que barulho irritante.
Os murmúrios sussurrados ao redor dos ouvidos de Xie Shu zumbiam como abelhas enfadonhas, tornando quase impossível continuar dormindo. Ela tateou até pegar um travesseiro ao lado e o apertou contra os ouvidos, depois virou-se de lado, como se pudesse fugir dali.
Infelizmente, a conversa continuou jorrando sem fim até seus ouvidos; em seguida, uma voz infantil e nada polida disse:
— Então jogamos água nela para acordá-la.
Água... jogar?
Xie Shu abriu os olhos de repente.
— Não!
Um coro de suspiros surpresos soou. Xie Shu virou o rosto na direção do som e descobriu que, ao lado de sua cama, havia duas crianças.
A mais alta era magra, com olhos de fênix de rara beleza oriental, os cantos internos ligeiramente curvados e as extremidades alongadas; as pupilas negras e brancas se distinguiam com clareza. Naquele instante, fitava-a com frieza e vigilância, os lábios ligeiramente cerrados.
A outra criança era um pouco mais escura e mais robusta, de cabelo bem curto, com olhos de flor de pêssego que pareciam sorrir e não sorrir ao mesmo tempo. Mesmo agora, permanecia alerta, mas o formato naturalmente sorridente dos lábios era inconfundível; com o corpo tenso, olhava para Xie Shu com hostilidade aberta.
Seriam filhos de algum parente?
Xie Shu remexeu a memória de toda a sua parentela e concluiu que nunca havia visto aqueles dois meninos.
Atordoada, ela passou os olhos pelo ambiente mais uma vez e, à primeira